Não. Mil vezes não. Candidíase não é uma IST (infecção sexualmente transmissível) e, na imensa maioria dos casos, não faz sentido tratar o parceiro.
Dito isso, em muitos casos, nem a própria paciente precisa de tratamento, mesmo quando aparece “cândida” em exames.
Em outras palavras: candidíase não é IST e quase nunca exige tratar o parceiro.
Calma. Vou te explicar.
Candidíase não é infecção sexualmente transmissível
A candidíase não é causada por uma bactéria ou vírus “de fora”.
Ela acontece quando um fungo que já vive na vagina começa a se replicar de forma descontrolada.
Ou seja:
– não veio do parceiro
– não “pegou” em relação sexual
– não é IST
Por isso, tratar o parceiro não faz sentido na maioria dos casos.
Ter cândida na vagina é normal
Sim, você leu certo.
Ter fungos (cândida) na vagina é normal. Eles fazem parte da microbiota de muitas mulheres.
Inclusive, estima-se que mais de 50% das mulheres tenham cândida vivendo ali, sem nenhum problema.
Por esse motivo:
- é comum cultura dar positiva
- é comum papanicolau mostrar fungo
Ainda assim, isso não significa candidíase.
Cultura positiva para cândida não significa candidíase
Segundo a ISSVD – Sociedade Internacional de Estudo das Doenças Vulvovaginais (2023):
- 20–30% das culturas positivas para Candida albicans representam apenas colonização
- Até 50% das culturas positivas para Candida não albicans não indicam doença
Ou seja: a cândida está ali, mas não está causando problema nenhum.
O problema não é ter cândida. É ela estar ativa.
A cândida só causa candidíase quando está em forma ativa, se replicando.
Ela muda de forma: passa de levedura para hifas, pseudo-hifas ou blastoconídeos
E é isso que costuma causar:
- coceira
- ardência
- vermelhidão
- corrimento
Então, como saber se a cândida está ativa?
A resposta é simples e direta: com microscopia. Só com microscopia. Não é com cultura, não é com papanicolau e não é com painel.
Na prática, a microscopia é o único exame capaz de mostrar se a cândida está realmente ativa, ou seja, se ela está se replicando e causando inflamação naquele momento.
É olhando no microscópio que dá para diferenciar quando a cândida está só ali quietinha, fazendo parte da microbiota, e quando ela está em forma ativa, causando candidíase de verdade.
O erro clássico: tratar fungo que não está causando nada
Na prática clínica, o cenário clássico:
- a pessoa tem coceira por outro motivo (alergia, dermatite, irritação, etc.)
- faz um exame
- aparece cândida
- pronto: a cândida vira a vilã da história
Como consequência, você vai ter:
- prescrição de antifúngico
- mais antifúngico
- que usar fluconazol por meses
- uma coceira que continua
Aí nasce o mito do “fungo resistente”, do “super fungo”, da “candidíase impossível”.
Quando, muitas vezes, nunca foi candidíase. Nem toda coceira é candidíase.
Candidíase de repetição: quando investigar de verdade
Algumas pessoas realmente têm tendência a candidíase de repetição. Isso pode acontecer mais em pessoas:
- diabéticas
- imunossuprimidas
- transplantadas
- pacientes internadas
Mas também em pessoas sem doença de base. Por isso, antes de iniciar qualquer tratamento, é essencial responder:
– é candidíase mesmo?
– a cândida está ativa?
– existe outra causa associada?
É possível ter mais de uma condição ao mesmo tempo
Ao mesmo tempo, é possível que uma pessoa tenha, ao mesmo tempo:
- candidíase + vaginose
- candidíase + alergia
- candidíase + vaginose citolítica
- candidíase + herpes
Tudo é possível. E é justamente por isso que o tratamento com base em palpite não serve.
Diagnóstico de qualidade muda tudo
Se você está em busca de um diagnóstico, você precisa de uma uma boa consulta, um bom exame físico, microscopia em consultório e raciocínio clínico baseado em evidência científica.
Desconfie de receitas automáticas, de tratamento prescrito “por desencargo” para “ver se melhora”.
Na Casa Irene, a gente não trata sem saber, de fato, o que está acontecendo
Aqui, a gente:
- não trata no escuro
- não trata por palpite
- não trata por moda
A gente trata depois de ver o que está acontecendo com base em evidência.
Em resumo:
Candidíase não é IST. E, na maioria das vezes, tratar o parceiro não faz sentido.
No fim das contas, o que muda tudo é saber:
– se é candidíase mesmo
– se a cândida está ativa
– se existe outra causa associada
Se você quer entender por que sua candidíase não melhora
ou se isso é mesmo candidíase, agende uma consulta no SOS Corrimento.
