Você percebeu um corrimento com cheiro forte e ficou em dúvida se isso é normal? Saiba que muitas pessoas passam por situações parecidas. E embora o corrimento seja algo natural do corpo, quando vem com odor desagradável ou outras mudanças, é hora de prestar atenção.
Neste artigo, vamos explicar — de forma simples e direta — o que pode estar por trás desse sintoma, quando ele se torna motivo de preocupação e como é feito o diagnóstico. Tudo com base em estudos confiáveis e experiências reais.
O que é considerado um corrimento anormal?
O corpo produz secreção vaginal como parte da sua defesa natural. Esse corrimento fisiológico é geralmente claro ou esbranquiçado, sem cheiro forte, e muda de quantidade ao longo do ciclo menstrual.
Mas quando o corrimento muda de cor, tem cheiro ruim ou vem com coceira ou dor, isso pode indicar algum desequilíbrio ou infecção.
Principais causas de corrimento com cheiro
Entre as principais causas de corrimento com odor forte estão:
- Vaginose bacteriana
- Candidíase
- Tricomoníase
Essas três condições representam mais de 90% dos casos de secreção vaginal anormal [1].
1. Vaginose bacteriana (VB)
A vaginose é uma infecção causada pelo desequilíbrio das bactérias da vagina. Quando as bactérias boas (os lactobacilos) diminuem, outras bactérias crescem mais do que deveriam — e isso altera o cheiro, o pH e o tipo de corrimento.
Sintomas comuns:
- Corrimento branco ou acinzentado;
- Odor forte, parecido com “peixe”;
- Pouca ou nenhuma coceira.
Um estudo com mais de 300 pessoas mostrou que a vaginose foi a causa mais comum de corrimento anormal, representando 25,5% dos casos [2].
Além do desconforto, a VB pode aumentar o risco de parto prematuro em grávidas e facilitar a transmissão de ISTs como HIV e clamídia [3, 4].
2. Candidíase
A candidíase é causada por um fungo chamado Candida albicans, que normalmente já vive na região íntima. Mas quando há alterações na imunidade, que pode ser causada por uso de antibióticos, por exemplo, ele pode se multiplicar e causar sintomas.
Sinais mais comuns:
- Coceira intensa;
- Corrimento branco e espesso (tipo leite coalhado);
- Vermelhidão e ardência na região íntima.
Estudos mostram que 3 em cada 4 pessoas terão candidíase em algum momento da vida [5].
3. Tricomoníase
A tricomoníase é uma infecção sexualmente transmissível (IST) provocada por um protozoário chamado Trichomonas vaginalis.
Os sintomas mais frequentes incluem:
- Corrimento amarelo-esverdeado, com bolhas e cheiro forte;
- Coceira e ardência;
- Dor ao urinar ou durante a relação sexual.
Apesar de ser menos comum, ainda afeta milhões de pessoas no mundo todo [6].
Corrimento com cheiro é sempre sinal de doença?
Nem sempre. O odor vaginal pode mudar um pouco ao longo do ciclo menstrual, após a relação sexual ou com o uso de certos sabonetes. Mas quando o cheiro é forte, persistente e vem acompanhado de outros sintomas, vale procurar um especialista.
Além disso, muitas infecções não apresentam sintomas no começo, o que reforça a importância de fazer exames ginecológicos com regularidade.
Só o exame clínico resolve?
O exame clínico é um primeiro passo, mas não dá todas as respostas. Um estudo realizado aqui no Brasil mostrou que o diagnóstico feito só com base nos sinais visíveis, a olho nú, pode errar em muitos casos — especialmente para candidíase, em que a chance de acerto foi de apenas 46% [2].
Veja os dados:
| Condição | Chance de acerto só pelo exame clínico |
| Vaginose | 74% |
| Candidíase | 46,4% |
Como diagnosticar corretamente?
O único exame capaz de diagnosticar candidíase com precisão é a microscopia. Diferente do Papanicolaou, que serve para detectar lesões no colo do útero, ou de uma avaliação apenas clínica, que podem gerar erros de diagnóstico, a análise da secreção vaginal ao microscópio permite identificar a presença do fungo Candida albicans e diferenciá-lo de outras causas de corrimento com cheiro, como vaginose bacteriana ou tricomoníase.
- Por isso, se você tem sintomas como coceira, ardência ou secreção com odor forte, o exame microscópico é fundamental para garantir o tratamento correto e evitar repetição dos episódios.
Quando procurar ajuda médica?
Procure um profissional se você tiver:
- Corrimento com cheiro ruim e persistente;
- Coceira, dor ou ardência na região íntima;
- Dor ao urinar ou ao ter relação sexual;
- Corrimento amarelado, esverdeado ou acinzentado;
- Sintomas que não melhoram após alguns dias.
Mesmo que o corrimento pareça “normal”, é sempre bom buscar uma opinião especializada.
Posso me tratar sozinha?
Não é recomendado. Muitas pessoas usam medicamentos por conta própria e acabam tratando o problema errado ou piorando a situação.
Por exemplo, usar antifúngico sem ter candidíase pode desequilibrar ainda mais a flora vaginal. Além disso, como vimos, só com os sintomas visíveis o diagnóstico pode falhar.
Então, para garantir o tratamento certo, o ideal é procurar atendimento específico que garanta microscopia, como o SOS Corrimento da Casa Irene — programa criado para diagnosticar e tratar corretamente quem sofre com episódios frequentes de candidíase de repetição. Porque sem diagnóstico com microscopia não tem como tratar corretamente.
Como prevenir o corrimento com odor?
Aqui vão algumas dicas simples que ajudam a manter a saúde íntima:
- Use roupas íntimas de algodão;
- Evite calças muito apertadas e tecidos sintéticos;
- Troque o biquíni ou a roupa íntima molhada o quanto antes;
- Não faça duchas vaginais;
- Use sabonetes neutros;;
- Evite absorventes diários por longos períodos;
- Use preservativo nas relações sexuais.
Conclusão
Notar um corrimento com cheiro forte pode assustar. Mas entender o que isso significa é o primeiro passo para cuidar melhor da sua saúde íntima.
As principais causas — vaginose bacteriana, candidíase e tricomoníase — são tratáveis e, na maioria das vezes, não indicam algo grave. O importante é não ignorar os sinais e procurar ajuda especializada.
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Referências
- ERIKSSON, K. et al. Validation of the use of Pap-stained vaginal smears for diagnosis of bacterial vaginosis. APMIS, v. 115, n. 7, p. 809–813, 2007.
- CAMARGO, K. C. et al. Secreção vaginal anormal: Sensibilidade, especificidade e concordância entre o diagnóstico clínico e citológico. Rev Bras Ginecol Obstet, v. 37, n. 5, p. 222–228, 2015. DOI: 10.1590/SO100-720320150005183.
- LIVENGOOD, C. H. Bacterial vaginosis: an overview for 2009. Rev Obstet Gynecol, v. 2, n. 1, p. 28–37, 2009.
- MYER, L. et al. Intravaginal practices, bacterial vaginosis, and women’s susceptibility to HIV infection. Lancet Infect Dis, v. 5, n. 12, p. 786–794, 2005.
- CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION (CDC). Trichomoniasis – Fact Sheet. 2007.
- SIMÕES, J. A. et al. Clinical diagnosis of bacterial vaginosis. Int J Gynecol Obstet, v. 94, p. 28–32, 2006.
- SODHANI, P. et al. Prevalence of bacterial vaginosis in a community setting and role of the Pap smear in its detection. Acta Cytol, v. 49, n. 6, p. 634–638, 2005.
- VARDAR, E. et al. Comparison of Gram stain and Pap smear procedures in the diagnosis of bacterial vaginosis. Infect Dis Obstet Gynecol, v. 10, n. 4, p. 203–207, 2002.
